A Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA) recebeu milhares de visitantes durante o tradicional Portões Abertos, evento que neste ano celebrou um marco histórico: "Os 110 anos da Aviação Naval Brasileira". Mais de 60 mil pessoas passaram pela base neste ensolarado domingo (2), para conhecer de perto aeronaves de asa fixa, helicópteros, demonstrações operacionais e o trabalho desenvolvido diariamente pelos homens e mulheres que compõem o braço aéreo da Marinha do Brasil.
O GBN Defense esteve presente acompanhando toda a programação com sua equipe liderada pelo editor, Angelo Nicolaci, que também atua como correspondente no Brasil do portal argentino Zona Militar, uma das principais publicações especializadas em Defesa da América Latina. Durante o evento, Nicolaci entrevistou o Comandante da Força Aeronaval (ComForAerNav), Contra-Almirante (FN) Alexandre Vasconcelos Tonini, que apresentou um panorama dos principais programas em andamento na Aviação Naval e dos investimentos que vêm transformando a capacidade operacional da Força.
Ao comentar a importância da celebração, o ComForAerNav destacou o sucesso do evento e o papel da aproximação entre a Marinha e a sociedade.
"A nossa Aviação Naval hoje realizou o Portões Abertos aqui em São Pedro da Aldeia, recebendo cerca de 60 mil pessoas. Um dos eventos em comemoração aos 110 anos da Aviação Naval, muito importante para a nossa Marinha. Sendo o braço aéreo do Poder Naval."
A expressiva participação do público demonstra o interesse crescente da sociedade pelos temas ligados à Defesa Nacional. Em um país de dimensões continentais com uma área marítima de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, a nossa "Amazônia Azul", sob sua responsabilidade, aproximar a população da realidade das Forças Armadas também significa fortalecer a compreensão sobre a importância estratégica do Poder Naval e da Aviação Naval para a proteção dos interesses brasileiros.
Uma nova geração de aviadores navais
Entre os principais anúncios feitos pelo Contra-Almirante (FN) Tonini está a renovação da frota destinada à formação dos futuros pilotos da Marinha.
"Nós estamos recebendo novas aeronaves de instrução, os IH-18 que estão substituindo nossos veteranos guerreiros Bell IH-6, que estão fazendo o seu último curso de formação de pilotos. Ano que vem todos os nossos aviadores navais serão formados apenas nos novos IH-18, então tem uma contribuição muito grande para a nossa Aviação Naval, para a nossa Marinha e para o nosso país."
A declaração marca oficialmente o encerramento de um capítulo importante na história da Aviação Naval. Após décadas formando gerações de aviadores, os tradicionais IH-6B JetRanger III entram em sua reta final de operação na instrução básica. A partir do próximo curso, essa missão será desempenhada exclusivamente pelos novos IH-18, cuja incorporação representa muito mais do que uma simples substituição de plataforma.
Os novos helicópteros oferecem um ambiente de instrução alinhado às exigências da aviação militar contemporânea, com aviônicos digitais, maior desempenho e tecnologias que aproximam o treinamento inicial da realidade operacional encontrada nas aeronaves atualmente empregadas pela Força Aeronaval. Trata-se de um investimento que impactará diretamente a qualidade da formação dos futuros pilotos pelos próximos anos.
Os "Linces" entram em uma nova fase operacional
Outro destaque apresentado pelo ComForAerNav foi a conclusão da modernização dos helicópteros AH-11B Wild Lynx, pertencentes ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (EsqdHA-1 "Lince").
"Nós estamos recebendo a sexta aeronave modernizada, o nosso 'Lince'. A última aeronave está chegando no final deste mês, no dia 31 de agosto, para completar a frota modernizada, completando a frota de seis aeronaves AH-11B modernizadas."
A modernização dos AH-11B representa um dos programas mais importantes da Aviação Naval na última década. Muito além de uma extensão da vida útil, as aeronaves receberam novos motores LHTEC CTS800-4N, aviônicos atualizados e melhorias estruturais que ampliam significativamente sua disponibilidade e desempenho operacional.
Na prática, a Marinha preserva uma capacidade essencial para operações de esclarecimento, vigilância e ataque embarcado, mantendo um vetor plenamente compatível com os atuais desafios do ambiente marítimo e preparado para operar ao lado dos novos meios que estão sendo incorporados à Esquadra, como as Fragatas Classe Tamandaré.
Uma Aviação Naval em transformação
Ao resumir o atual momento vivido pela Força, o Contra-Almirante (FN) Tonini foi direto ao destacar a evolução da capacidade operacional.
"Então a Aviação Naval está cada vez mais crescendo de importância, adquirindo meios modernos para contribuir com o Poder Naval na defesa da nossa Amazônia Azul."
A afirmação sintetiza um processo que vem sendo observado de forma consistente nos últimos anos. A modernização dos helicópteros AH-11B "Lince", a incorporação dos IH-18, a retomada de capacidades importantes como o voo noturno em Guerra Antissubmarino, a integração com as futuras Fragatas Classe Tamandaré e a manutenção da capacidade embarcada demonstram que a Aviação Naval atravessa uma fase de renovação que vai além da simples aquisição de equipamentos.
O foco está na preservação e no fortalecimento de capacidades estratégicas. Em um ambiente onde a vigilância marítima, a proteção das linhas de comunicação e a defesa das riquezas existentes na Amazônia Azul assumem importância crescente, investir na Aviação Naval significa ampliar significativamente a capacidade de resposta da Marinha do Brasil diante de cenários cada vez mais complexos.
Uma Aviação Naval mais diversa
Outro ponto ressaltado pelo Comandante foi a evolução da participação feminina na atividade aérea.
"Temos também o ingresso das mulheres. As primeiras mulheres se formaram no ano passado, as duas primeiras aviadoras navais, e temos mais uma tenente fazendo o curso este ano. Então estamos abrindo espaço para as mulheres. A Marinha é pioneira com as mulheres, assim como também é a pioneira na aviação militar no Brasil."
A formação das primeiras aviadores navais representa um marco institucional importante. Mais do que ampliar a participação feminina, a iniciativa fortalece a capacidade da Força ao incorporar novos talentos a uma atividade altamente especializada, acompanhando uma evolução já observada nas principais marinhas do mundo.
Encerrando sua entrevista, o Contra-Almirante (FN) Tonini ressaltou que manter esse contato direto com a sociedade também faz parte da missão da Aviação Naval.
"Então é um orgulho muito grande para a nossa Marinha do Brasil estar aqui com a sociedade comemorando os 110 anos da Aviação Naval, estar sempre focada na defesa da Pátria, na salvaguarda da vida humana e também nessa comunicação com a nossa sociedade. É uma satisfação muito grande ter dado a oportunidade para a nossa sociedade estar em contato com os nossos meios, com os nossos militares, em um dia em família com a nossa Aviação Naval.
No Ar os Homens do Mar,
ADSUMUS,
Viva a Marinha,
Tudo Pela Nossa Pátria !!!"
Análise GBN Defense
Celebrar 110 anos é olhar para o passado, mas também definir os rumos do futuro. E a mensagem transmitida pelo Comandante da Força Aeronaval durante o Portões Abertos deixa claro que a Marinha compreende esse desafio.
Os programas apresentados não representam aquisições isoladas. A chegada dos IH-18 garante uma formação compatível com os desafios tecnológicos da aviação militar contemporânea. A modernização dos AH-11B preserva uma capacidade embarcada indispensável para o Poder Naval. Paralelamente, a incorporação de novas aviadoras e a continuidade da modernização da Aviação Naval demonstram uma preocupação que vai além da renovação de equipamentos: trata-se de investir simultaneamente em pessoas, doutrina e capacidade operacional.
Neste momento em que o Atlântico Sul ganha crescente relevância geopolítica e a Amazônia Azul concentra ativos estratégicos fundamentais para o Brasil, manter uma Aviação Naval moderna, bem treinada e plenamente integrada à Esquadra deixa de ser apenas uma necessidade militar. Torna-se um elemento essencial da estratégia nacional de defesa da nossa soberania.
Mais do que celebrar um legado iniciado em 1916, a Aviação Naval demonstra que continua preparada para escrever os próximos capítulos de sua história, preservando uma capacidade que permanece indispensável para que a Marinha do Brasil possa exercer com eficiência, sua missão constitucional de defender a soberania e os interesses marítimos brasileiros.
por Angelo Nicolaci
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