quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Exercício Felino 2026 reúne seis países e 740 militares em operação multinacional em Foz do Iguaçu

 

O Brasil sediou entre 10 e 21 de agosto, o Exercício Conjunto-Combinado Felino 2026, realizado em Foz do Iguaçu (PR), reunindo cerca de 700 militares brasileiros e 38 militares estrangeiros de Angola, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. Coordenada pelo Ministério da Defesa, a atividade envolveu Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira em um treinamento voltado ao emprego conjunto e combinado em operações de paz.

A dimensão do exercício foi além do efetivo empregado. A estrutura mobilizou 119 viaturas, sendo 22 da Marinha, 86 do Exército e 11 da Força Aérea, além de oito embarcações da Marinha e duas aeronaves da FAB. O volume de meios empregados permitiu levar ao terreno diferentes capacidades necessárias a uma operação multinacional, incluindo mobilidade, comando e controle, logística e apoio à força.

O cenário de treinamento foi baseado no país fictício de Carana, submetido a um quadro de conflito armado, instabilidade e crise humanitária. A partir desse ambiente, os participantes constituíram uma Força-Tarefa Conjunta-Combinada e receberam problemas militares simulados destinados a testar os processos de planejamento, tomada de decisão e execução de operações de paz.

A programação incluiu ações de ajuda humanitária, proteção de civis e campos de refugiados, desobstrução de vias, patrulhamento, escolta de comboios, atendimento de saúde operacional e evacuação aeromédica. Também foram treinadas respostas a ameaças mais complexas, como emprego de sistemas remotamente pilotados, grupos armados, artefatos explosivos improvisados e incidentes envolvendo agentes químicos.

A participação da Marinha teve peso relevante na estrutura do exercício. Além de integrar o componente conjunto das Forças Armadas, a Força Naval empregou 22 viaturas e oito embarcações, compondo as capacidades disponíveis para as ações em terra e no ambiente fluvial da região. A presença do Corpo de Fuzileiros Navais está inserida nesse componente operacional da Marinha, particularmente adequado a missões que exigem mobilidade terrestre e fluvial, proteção de instalações e atuação integrada em diferentes ambientes, sendo uma força expedicionária por natureza e grande eficiência operacional.

O desenho do exercício também incorporou situações relacionadas ao ambiente informacional, emprego de drones, proteção de civis, ações contra grupos armados e medidas de enfrentamento a explosivos improvisados. A progressão dos cenários buscou aumentar gradualmente a complexidade das decisões e culminou em uma demonstração operacional integrando as capacidades treinadas ao longo da atividade.

A dimensão multinacional é um dos principais objetivos do Felino. Realizado desde 2000 no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o exercício permite alinhar procedimentos, doutrinas e processos de comando entre forças que poderão atuar conjuntamente em missões internacionais, especialmente sob mandato das Nações Unidas.

A edição de 2026 deu continuidade ao ciclo iniciado no ano anterior com o Exercício Felino realizado na Guiné Equatorial. Naquele momento, o treinamento concentrou-se no planejamento; em Foz do Iguaçu, os participantes avançaram para a execução prática das ações com tropas e meios empregados no terreno.

Para o Brasil, o exercício também funciona como instrumento de preparação das Forças Armadas para operações multinacionais, permitindo testar a interoperabilidade entre Marinha, Exército e Força Aérea e, simultaneamente, entre diferentes contingentes nacionais. A atividade exige coordenação de Estados-Maiores, padronização de procedimentos e capacidade de operar sob uma estrutura de comando combinada.

O encerramento ocorreu em 21 de agosto, com a passagem da bandeira da CPLP do Brasil para Timor-Leste, que receberá o próximo ciclo do exercício. A continuidade do Exercício Felino mantém uma estrutura permanente de cooperação militar entre os países lusófonos e amplia a capacidade de atuação conjunta em cenários de operações de paz e assistência humanitária.


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