sexta-feira, 31 de julho de 2026

Exército Britânico seleciona VANT Tekever AR5 para substituir o Watchkeeper em contrato de £400 milhões

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O Ministério da Defesa do Reino Unido anunciou a seleção do VANT Tekever AR5 como o novo sistema de vigilância e reconhecimento do Exército Britânico, marcando o início da substituição gradual da frota de drones Watchkeeper WK450. O contrato, avaliado em aproximadamente 400 milhões de libras esterlinas, terá duração de dez anos e representa um importante passo na modernização das capacidades britânicas de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR).

A decisão também reforça a estratégia do governo britânico de ampliar a participação da indústria nacional em programas estratégicos de defesa, reduzindo a dependência de plataformas estrangeiras e fortalecendo sua base industrial de tecnologia militar.

Desenvolvido pela empresa britânica Tekever, o AR5 pertence à categoria de VANT tático, oferecendo uma solução mais compacta e flexível em comparação ao Watchkeeper, plataforma baseada no drone israelense Hermes 450.

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Embora possua dimensões menores, o AR5 apresenta características operacionais que o tornam altamente competitivo para missões prolongadas de vigilância terrestre e marítima. Sua autonomia de até 20 horas permite a cobertura contínua de extensas áreas de interesse, característica essencial para operações militares modernas, monitoramento de fronteiras e vigilância de infraestruturas críticas.

O sistema foi projetado para operar com diferentes configurações de sensores, podendo transportar simultaneamente uma torre eletro-óptica/infravermelha (EO/IR) e um radar de vigilância marítima. Essa combinação permite detectar, identificar e acompanhar alvos tanto em ambiente terrestre quanto naval, durante operações diurnas e noturnas.

Além disso, o AR5 pode receber cargas úteis dedicadas à Inteligência de Sinais (ELINT), capazes de detectar e localizar emissões eletromagnéticas a distâncias de até 200 quilômetros, ampliando significativamente sua capacidade de coleta de informações em cenários de guerra eletrônica.

Um dos diferenciais do AR5 é sua elevada flexibilidade operacional. Equipado com dois motores a pistão, o VANT necessita de apenas 300 metros de pista para realizar decolagens, permitindo sua operação em aeródromos de campanha e bases avançadas.

A plataforma possui alcance de aproximadamente 1.500 quilômetros em uma única missão, combinando grande autonomia com custos operacionais inferiores aos de aeronaves tripuladas empregadas em missões equivalentes.

Pela classificação adotada pelas Forças Armadas brasileiras, o Tekever AR5 enquadra-se na Categoria 3 de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), destinada às aeronaves com peso máximo de decolagem superior a 150 kg. Essa categoria reúne plataformas de emprego militar voltadas para missões de longa permanência, inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), capazes de operar a grandes distâncias e transportar sensores de elevada capacidade, além de cargas úteis especializadas, como radares e sistemas de inteligência eletrônica (ELINT).

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Essas características fazem do AR5 uma solução adequada para missões de vigilância persistente, reconhecimento de longo alcance, monitoramento marítimo e apoio às operações terrestres, oferecendo elevada disponibilidade operacional.

Mudança de plataforma, manutenção da doutrina

A escolha do AR5 também evidencia a continuidade da estratégia britânica para o emprego de sistemas aéreos não tripulados. Apesar da substituição do Watchkeeper, o Reino Unido mantém a separação entre plataformas dedicadas exclusivamente às missões ISR e aquelas destinadas ao emprego de armamentos.

Nesse contexto, o Tekever AR5 assumirá as missões de vigilância, reconhecimento e coleta de inteligência sem capacidade ofensiva, preservando o conceito de VANT tático desarmado para essas operações.

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Já as missões que exigem capacidade de ataque continuarão sendo desempenhadas pelo Protector RG Mk1, versão britânica do MQ-9B SkyGuardian, equipada para realizar tanto missões ISR quanto ataques de precisão com armamentos guiados.

Essa divisão de funções demonstra uma doutrina operacional bem definida. Enquanto o AR5 será empregado como plataforma de vigilância persistente e coleta de informações, o Protector RG Mk1 ficará responsável pelas missões que demandem capacidade de engajamento de alvos, permitindo ao Exército Britânico otimizar custos operacionais sem abrir mão da eficiência em diferentes tipos de operação.

Fortalecimento da indústria britânica de defesa

Além da renovação da frota, o programa possui forte componente industrial. Ao selecionar uma plataforma desenvolvida por uma empresa estabelecida no Reino Unido, o Ministério da Defesa busca fortalecer sua cadeia produtiva nacional, ampliar a autonomia tecnológica e garantir maior controle sobre o ciclo de vida do sistema.

A contratação da Tekever acompanha uma tendência observada em diversos países europeus, que vêm priorizando o desenvolvimento de soluções nacionais ou produzidas localmente para reduzir vulnerabilidades estratégicas e aumentar a independência em programas considerados críticos para a defesa.

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A substituição do Watchkeeper pelo AR5 também reflete a rápida evolução dos sistemas remotamente pilotados na última década. Sensores mais avançados, maior autonomia, arquitetura aberta para integração de novas cargas úteis e menores custos de operação tornaram os SARPs uma alternativa cada vez mais atraente para missões de ISR, especialmente em cenários onde a persistência sobre a área de interesse é um fator decisivo.

Com autonomia elevada, arquitetura modular e capacidade de integrar múltiplos sensores, o Tekever AR5 deverá desempenhar um papel central nas futuras operações de inteligência, vigilância e reconhecimento do Exército Britânico, consolidando-se como a nova espinha dorsal das capacidades ISR de longa duração do Reino Unido. Ao mesmo tempo, o programa reafirma a aposta britânica no fortalecimento de sua indústria de defesa e na manutenção de uma arquitetura operacional que separa claramente plataformas de vigilância das aeronaves remotamente pilotadas destinadas ao combate, garantindo maior flexibilidade e eficiência para atender às demandas dos conflitos contemporâneos.


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