quinta-feira, 25 de junho de 2026

Operação Furnas 2026: GBN Defense teve acesso ao sistema de guerra eletrônica MAGE Mk.2 da Marinha do Brasil

 

Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha, sistema amplia capacidades nacionais em inteligência de sinais, reunindo recursos de Inteligência Eletrônica (ELINT) e Inteligência de Comunicações (COMINT)

Durante a cobertura da Operação Furnas 2026, o GBN Defense teve acesso ao Shelter MAGE Mk.2 (Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica), uma das soluções desenvolvidas pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) para ampliar as capacidades brasileiras no campo da guerra eletrônica e da inteligência de sinais.

O editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, conheceu de perto o sistema e detalhes de sua arquitetura, capacidades operacionais e importância estratégica dentro do esforço da Marinha do Brasil para ampliar o domínio tecnológico nacional em uma das áreas mais sensíveis dos conflitos modernos: o espectro eletromagnético.

Instalado em um shelter embarcado sobre a plataforma Mercedes-Benz Unimog U5000 4x4, o MAGE Mk.2 foi concebido como uma solução móvel de inteligência eletrônica, capaz de operar em diferentes cenários e fornecer informações fundamentais para a consciência situacional das forças militares.

O sistema permite detectar, interceptar, analisar e localizar emissões eletromagnéticas sem revelar sua própria presença, característica essencial para operações modernas de inteligência e guerra eletrônica.

Uma capacidade nacional de SIGINT

O Shelter MAGE Mk.2 reúne capacidades de SIGINT (Signals Intelligence – Inteligência de Sinais), integrando duas áreas fundamentais: Inteligência de Comunicações (COMINT) e Inteligência Eletrônica (ELINT).

No segmento COMINT, o sistema realiza o monitoramento do espectro de comunicações, incluindo transmissões em faixas como HF, VHF e UHF. Essa capacidade permite acompanhar redes de comunicação, identificar padrões de operação e obter informações relevantes sobre estruturas de comando e controle.

A análise das comunicações contribui para que os comandantes tenham uma compreensão mais ampla do ambiente operacional, permitindo identificar atividades, movimentações e possíveis intenções de forças adversárias.

Já a capacidade ELINT é voltada à detecção e análise de emissões eletrônicas, especialmente aquelas provenientes de sistemas radar. O MAGE Mk.2 consegue coletar parâmetros técnicos dos sinais detectados, como frequência de operação e características das emissões, permitindo sua identificação e classificação.

Essa capacidade é fundamental para o reconhecimento de sistemas como radares de vigilância, sensores de defesa antiaérea e outros equipamentos emissores presentes no campo de batalha.

O domínio do espectro eletromagnético

A evolução dos conflitos modernos demonstrou que o controle do ambiente eletromagnético tornou-se um fator decisivo para o sucesso das operações militares.

A capacidade de identificar, monitorar e compreender as emissões do adversário permite ampliar a consciência situacional e apoiar decisões estratégicas e táticas, complementando informações obtidas por outros meios de inteligência.

Entre os desafios enfrentados pelos sistemas modernos está a detecção de emissores com baixa probabilidade de interceptação (LPI – Low Probability of Interception), tecnologia empregada por equipamentos avançados para reduzir sua assinatura eletrônica e dificultar sua localização.

Ao combinar recursos COMINT e ELINT em uma única plataforma móvel, o MAGE Mk.2 proporciona uma visão mais abrangente do ambiente eletromagnético, permitindo não apenas localizar emissores, mas compreender o comportamento e a organização das forças presentes no cenário operacional.

Investimento em autonomia tecnológica

O desenvolvimento do Shelter MAGE Mk.2 pelo Instituto de Pesquisas da Marinha representa um importante passo no fortalecimento da autonomia tecnológica brasileira em uma área considerada estratégica para a defesa nacional.

A guerra eletrônica envolve tecnologias sensíveis, incluindo processamento avançado de sinais, sensores especializados, análise de dados e sistemas computacionais de alto desempenho. O domínio nacional dessas capacidades reduz dependências externas e fortalece a Base Industrial de Defesa brasileira.

O acesso do GBN Defense ao sistema durante a Operação Furnas 2026 permitiu conhecer uma das iniciativas que demonstram o avanço da Marinha do Brasil no desenvolvimento de capacidades voltadas aos desafios dos campos de batalha contemporâneos.

O GBN Defense seguirá acompanhando os programas estratégicos da Marinha do Brasil relacionados à guerra eletrônica, inteligência e tecnologias emergentes, levando ao público informações sobre os meios e projetos que moldam o futuro da defesa brasileira.


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