Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha, sistema amplia capacidades nacionais em inteligência de sinais, reunindo recursos de Inteligência Eletrônica (ELINT) e Inteligência de Comunicações (COMINT)
Durante a cobertura da Operação Furnas 2026, o GBN Defense teve acesso ao Shelter MAGE Mk.2 (Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica), uma das soluções desenvolvidas pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) para ampliar as capacidades brasileiras no campo da guerra eletrônica e da inteligência de sinais.
O editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, conheceu de perto o sistema e detalhes de sua arquitetura, capacidades operacionais e importância estratégica dentro do esforço da Marinha do Brasil para ampliar o domínio tecnológico nacional em uma das áreas mais sensíveis dos conflitos modernos: o espectro eletromagnético.
Instalado em um shelter embarcado sobre a plataforma Mercedes-Benz Unimog U5000 4x4, o MAGE Mk.2 foi concebido como uma solução móvel de inteligência eletrônica, capaz de operar em diferentes cenários e fornecer informações fundamentais para a consciência situacional das forças militares.
O sistema permite detectar, interceptar, analisar e localizar emissões eletromagnéticas sem revelar sua própria presença, característica essencial para operações modernas de inteligência e guerra eletrônica.
Uma capacidade nacional de SIGINT
O Shelter MAGE Mk.2 reúne capacidades de SIGINT (Signals Intelligence – Inteligência de Sinais), integrando duas áreas fundamentais: Inteligência de Comunicações (COMINT) e Inteligência Eletrônica (ELINT).
No segmento COMINT, o sistema realiza o monitoramento do espectro de comunicações, incluindo transmissões em faixas como HF, VHF e UHF. Essa capacidade permite acompanhar redes de comunicação, identificar padrões de operação e obter informações relevantes sobre estruturas de comando e controle.
A análise das comunicações contribui para que os comandantes tenham uma compreensão mais ampla do ambiente operacional, permitindo identificar atividades, movimentações e possíveis intenções de forças adversárias.
Já a capacidade ELINT é voltada à detecção e análise de emissões eletrônicas, especialmente aquelas provenientes de sistemas radar. O MAGE Mk.2 consegue coletar parâmetros técnicos dos sinais detectados, como frequência de operação e características das emissões, permitindo sua identificação e classificação.
Essa capacidade é fundamental para o reconhecimento de sistemas como radares de vigilância, sensores de defesa antiaérea e outros equipamentos emissores presentes no campo de batalha.
O domínio do espectro eletromagnético
A evolução dos conflitos modernos demonstrou que o controle do ambiente eletromagnético tornou-se um fator decisivo para o sucesso das operações militares.
A capacidade de identificar, monitorar e compreender as emissões do adversário permite ampliar a consciência situacional e apoiar decisões estratégicas e táticas, complementando informações obtidas por outros meios de inteligência.
Entre os desafios enfrentados pelos sistemas modernos está a detecção de emissores com baixa probabilidade de interceptação (LPI – Low Probability of Interception), tecnologia empregada por equipamentos avançados para reduzir sua assinatura eletrônica e dificultar sua localização.
Ao combinar recursos COMINT e ELINT em uma única plataforma móvel, o MAGE Mk.2 proporciona uma visão mais abrangente do ambiente eletromagnético, permitindo não apenas localizar emissores, mas compreender o comportamento e a organização das forças presentes no cenário operacional.
Investimento em autonomia tecnológica
O desenvolvimento do Shelter MAGE Mk.2 pelo Instituto de Pesquisas da Marinha representa um importante passo no fortalecimento da autonomia tecnológica brasileira em uma área considerada estratégica para a defesa nacional.
A guerra eletrônica envolve tecnologias sensíveis, incluindo processamento avançado de sinais, sensores especializados, análise de dados e sistemas computacionais de alto desempenho. O domínio nacional dessas capacidades reduz dependências externas e fortalece a Base Industrial de Defesa brasileira.
O acesso do GBN Defense ao sistema durante a Operação Furnas 2026 permitiu conhecer uma das iniciativas que demonstram o avanço da Marinha do Brasil no desenvolvimento de capacidades voltadas aos desafios dos campos de batalha contemporâneos.
O GBN Defense seguirá acompanhando os programas estratégicos da Marinha do Brasil relacionados à guerra eletrônica, inteligência e tecnologias emergentes, levando ao público informações sobre os meios e projetos que moldam o futuro da defesa brasileira.
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