sábado, 13 de junho de 2026

Microlançador Brasileiro avança rumo aos primeiros carregamentos dos motores

O desenvolvimento do Microlançador Brasileiro (MLBR), projeto que busca dotar o país da capacidade de colocar pequenos satélites em órbita a partir do território nacional, alcançou mais um marco importante com a conclusão dos preparativos para os primeiros carregamentos dos motores que equiparão o veículo lançador.

Entre os avanços anunciados estão a formulação do propelente inerte que será utilizado nas operações iniciais de carregamento e a conclusão dos envelopes dos propulsores N-04 e N-09, responsáveis respectivamente pelo terceiro e segundo estágios do foguete. A etapa representa um passo fundamental no amadurecimento tecnológico do programa e na validação dos processos industriais necessários para a fabricação dos motores.

O uso de propelente inerte permite que as equipes realizem testes e validações em condições controladas, verificando procedimentos operacionais, requisitos de qualidade e protocolos de segurança antes da utilização do propelente ativo. A metodologia reduz riscos técnicos e contribui para aumentar a confiabilidade das futuras operações de carregamento dos motores.

Com os envelopes dos propulsores já concluídos, os esforços do projeto concentram-se agora na fabricação e qualificação dos equipamentos necessários para a operação, incluindo dispositivos especializados e o mandril central responsável pela definição da geometria interna do grão propelente, elemento essencial para o desempenho dos motores durante o voo.

Os três motores que compõem o MLBR já tiveram suas estruturas qualificadas. O motor N-90, que impulsionará o primeiro estágio do lançador, utiliza aproximadamente nove toneladas de propelente sólido. O N-09, empregado no segundo estágio, utiliza cerca de uma tonelada, enquanto o N-04, destinado à fase final de inserção orbital, empregará aproximadamente 400 quilos de propelente.

Segundo Ralph Correa, gerente do programa e engenheiro da Cenic Engenharia, empresa líder do arranjo produtivo responsável pelo desenvolvimento do lançador, os avanços obtidos reforçam a evolução contínua do projeto em direção ao objetivo de ampliar a capacidade brasileira de acesso independente ao espaço por meio de tecnologias desenvolvidas no país.

Um projeto estratégico para o Programa Espacial Brasileiro

O MLBR nasceu a partir de uma chamada pública lançada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). O objetivo é desenvolver o primeiro veículo nacional capaz de colocar pequenos satélites em órbita terrestre a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.

O projeto reúne empresas brasileiras de alta tecnologia, com liderança da CENIC, CONCERT SPACE, PLASMAHUB, DELSIS e ETSYS, além da participação de parceiros estratégicos como BIZU SPACE, FIBRAFORTE e HORUSEYE TECH. O esforço conjunto demonstra a crescente capacidade da indústria nacional em atuar em programas de elevada complexidade tecnológica e alto valor agregado.

Com 12 metros de altura e 1,1 metro de diâmetro, o MLBR será equipado com três motores a propelente sólido e terá capacidade para colocar até 40 kg de carga útil em órbita a aproximadamente 450 quilômetros de altitude. O veículo foi concebido para atender um mercado global em rápida expansão, impulsionado pela crescente demanda por pequenos satélites voltados para telecomunicações, monitoramento ambiental, agricultura de precisão, segurança, geolocalização e coleta de dados.

Alcântara e a busca pela autonomia espacial

A futura operação do MLBR a partir do Centro de Lançamento de Alcântara agrega uma dimensão estratégica ao projeto. Localizado próximo à linha do Equador, o centro maranhense oferece vantagens operacionais significativas para lançamentos orbitais, reduzindo o consumo de combustível e ampliando a capacidade de carga dos veículos espaciais.

Mais do que desenvolver um novo foguete, o programa busca consolidar competências industriais, tecnológicas e operacionais essenciais para a autonomia espacial brasileira. Em um cenário no qual o acesso independente ao espaço tornou-se um fator cada vez mais relevante para a soberania nacional, o avanço do Microlançador Brasileiro representa um importante passo para fortalecer o Programa Espacial Brasileiro e ampliar a participação do país em um mercado global em constante crescimento.

Os próximos carregamentos inertes dos motores marcarão uma nova etapa nessa trajetória, aproximando o MLBR do objetivo de se tornar o primeiro lançador orbital desenvolvido integralmente pela indústria brasileira.


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