sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Presidência egípcia fará importante comunicado em breve


A presidência egípcia fará um importante comunicado em breve, anunciou a tv estatal nesta sexta-feira.

Ao menos dois helicópteros decolaram nesta sexta-feira do palácio presidencial de Hosni Mubarak, no Cairo, afirmaram testemunhas.

Um membro do partido do governo disse mais cedo que o presidente se dirigia para o balneário de Sharm el-Sheikh, no mar Vermelho.

O presidente egípcio Hosni Mubarak, que na véspera delegou alguns poderes ao vice-presidente Omar Suleimán, partiu com a família do Cairo rumo à cidade costeira de Sharm el-Sheij, num momento em que a tv estatal anunciou que a presidência fará em breve um importante comunicado.

Enquanto isso, mais de um milhão de pessoas estavam nas ruas nesta sexta-feira em todo Egito para exigir a renúncia do presidente Mubarak, segundo uma contagem de fontes dos serviços de segurança e estimativas de correspondentes da AFP.

Na Praça Tahrir (Libertação) do Cairo, centro nervoso dos protestos contra o regime de Mubarak, milhares de pessoas passaram a noite na rua indignadas com a obstinação do presidente, que se agarra ao poder.

O número de barracas na praça aumenta a cada dia. Durante a madrugada, os manifestantes discursaram e gritaram frases contra o regime.

Na quinta-feira, Mubarak fez um discurso em rede nacional e anunciou a transferência de poderes ao vice-presidente Omar Suleiman, mas frustrou as expectativas ao afirmar que permanecerá no cargo até as eleições de setembro, nas quais prometeu não ser candidato.

Também disse que estava determinado a viver e morrer no Egito, uma notícia ruim para os que esperavam que Mubarak partisse para o exílio, abrindo caminho para as reformas democráticas exigidas pela população.

O presidente de 82 anos, no poder desde 1981, frustrou todas as expectativas.

"Decidi delegar poderes ao vice-presidente com base na Constituição", disse o aparentemente fragilizado Mubarak, com uma voz rouca.

"Estou consciente dos perigos desta encruzilhada... e isso nos força a priorizar os altos interesses da nação".

Ele continuou o discurso com um aparente ataque aos Estados Unidos e a outros países que o pressionaram para acelerar a transição para a democracia, afirmando: "nunca me curvei a ingerências externas".

O presidente americano, Barack Obama, alertou que o presidente egípcio falhou ao apresentar uma mudança crível, concreta e irreversível e afirmou que o governo deve mostrar um caminho claro em direção à democracia.

Obama divulgou um comunicado duro após um dia de drama no Cairo, quando a esperança pela renúncia de Mubarak foi frustrada e substituída pela fúria.

"O povo egípcio foi informado de que ocorreu uma transição de autoridade, mas ainda não está claro se esta transição é imediata, significativa ou suficiente", disse Obama.

"Muitos egípcios ainda não se convenceram de que o governo é sério em relação a uma transição genuína em direção à democracia, e é responsabilidade do governo falar claramente ao povo egípcio e ao mundo", acrescentou.

"O governo egípcio deve mostrar um caminho crível, concreto e inequívoco em direção a uma democracia genuína", afirmou.

Para a ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, o discurso de Mubarak não respondeu aos desejos revelados pela crise no Egito.

"O discurso de Mubarak está longe da ruptura necessária com o sistema abusivo dos últimos 30 anos", afirmou Kenneth Roth, diretor executivo da ONG que tem sede em Nova York.

"Não bastam mudanças cosméticas para satisfazer as reivindicações do povo egípcio de democracia e direitos humanos. Estados Unidos e União Europeia deveriam usar sua influência e ajuda para estimular uma verdadeira reforma", completou.

Fonte: AFP/Reuters

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