segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Geithner diz que Brasil se transformou em uma potência econômica global


O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, afirmou nesta segunda-feira em São Paulo que seu país está muito interessado em fortalecer as relações com o Brasil, que, segundo ele, se transformou em uma potência econômica e financeira global.

Em um debate com cerca de cem estudantes em um centro universitário de São Paulo, Geithner elogiou o papel de destaque que o Brasil alcançou como nação emergente nos últimos anos, e que o levou a ter mais poder em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Ele manifestou sua satisfação por estar no Brasil preparando a visita do presidente americano, Barack Obama, no mês que vem para "estabelecer as bases para uma relação mais forte entre os dois países".

"O Brasil é uma potência econômica e financeira importante no cenário global. Nossas economias têm forças semelhantes e enfrentam desafios semelhantes", acrescentou.

"Nossas relações econômicas estão se expandindo. O comércio bilateral entre os dois países praticamente dobrou desde o início do século, assim como os investimentos e o fluxo de capitais nos dois sentidos", ressaltou o secretário do Tesouro.

Geithner afirmou que atualmente vários empresários brasileiros estão investindo nos EUA, abrindo fábricas e gerando empregos no país.

Ele acrescentou que, com "interesses muito alinhados", o Brasil e os EUA têm que trabalhar juntos para superar os problemas em um momento que qualificou como de "transição" na economia mundial.

"Nossas economias estão em uma posição mais forte que há dois anos. Estamos unidos por desafios econômicos e interesses comuns. E agora é mais importante que trabalhemos juntos, como parceiros", pela economia de ambos os países e o crescimento econômico global, afirmou

Ele lembrou que, no início da crise econômica global, os dois países trabalharam com estratégias coordenadas para recuperar o crescimento econômico.

Segundo Geithner, após a forma bem-sucedida como o Brasil reagiu à crise, os EUA decidiram pressionar para ajudar o país a ter um papel mais importante no cenário global.

"Defendemos fortemente que o Grupo dos Vinte (G20, formado pelos países mais ricos e principais emergentes) se transforme no principal fórum de cooperação econômica e financeira global. Nós nos empenhamos para reforçar o papel de países emergentes como o Brasil na direção do FMI e do Banco Mundial", disse.

Ele assegurou que o Brasil está enfrentando atualmente um forte aumento do fluxo de capitais que valoriza sua moeda e advertiu que o país não poderá superar este problema sozinho.

Segundo Geithner, a valorização do real é provocada pela entrada em massa de capitais no país, atraídos pelo próprio crescimento da economia brasileira e pelas elevadas taxas de juros.

"Mas esses fluxos (de capitais) foram favorecidos pelas políticas de outras economias emergentes que estão tentando manter suas moedas desvalorizadas", admitiu, sem mencionar nenhum país.

"A gestão dos fluxos de capital em tais circunstâncias não é uma tarefa fácil", acrescentou o secretário do Tesouro ao afirmar que o Brasil eleva os juros para combater a inflação, o que também acaba pressionando a taxa de câmbio.

"Se países com elevados superávits atuarem para fortalecer a demanda doméstica em suas economias, abrirem seus mercados de capital e permitirem que suas moedas reflitam os fundamentos econômicos, teremos mais equilíbrio nos fluxos de capitais, menos pressão sobre a moeda brasileira e um crescimento mais robusto nas exportações brasileiras", afirmou.

Geithner se reunirá ainda nesta segunda-feira com a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e com vários de seus ministros antes de retornar aos EUA.

Fonte: EFE

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