
O reconhecimento do Estado palestino por Brasil e Argentina é prematuro, disse o subsecretário de Estado americano, William Burns, em visita ao Chile nesta sexta-feira.
O governo argentino disse na segunda-feira (6) que decidiu reconhecer o Estado palestino baseado nas fronteiras anteriores à guerra de 1967, seguindo uma medida similar adotada dias antes pelo vizinho Brasil. O Uruguai também prometeu fazer o mesmo.
"Acreditamos que tal reconhecimento é prematuro", disse Burns a jornalistas na capital do Chile, Santiago.
"É só por meio de negociações entre as partes, palestinos e israelenses, que poderá chegar a uma solução de dois Estados".
Esta semana, Israel chamou o anúncio dos países latino-americanos de uma "interferência altamente prejudicial" por países que nunca fizeram parte do processo de paz no Oriente Médio.
Israel contesta a reivindicação palestina de controle de toda a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, terras que capturou da Jordânia na guerra de 1967 e nas quais desde então fixou grandes assentamentos judaicos.
QUESTÃO PALESTINA
A maior parte do mundo ignorou a declaração de um Estado palestino feita por Yasser Arafat em 1988. Mas, com o processo de paz murchando, o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, disse que outras opções podem incluir buscar o reconhecimento do Estado palestino nas Nações Unidas -- embora ele tenha admitido que seja pouco provável conseguir o apoio dos Estados Unidos (EUA).
As negociações de paz mediadas pelos EUA, e que começaram há duas décadas, se baseiam na premissa de um Estado palestino delineado com o consentimento de Israel. As potências mundiais querem um tratado que crie um Estado na Cisjordânia --incluindo Jerusalém Oriental-- e na faixa de Gaza, que Israel tomou do Egito na guerra de 1967 e da qual se retirou em 2005.
O atual primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, de direita, está resistindo aos chamados dos EUA pelo fim das construções nos assentamentos israelenses na Cisjordânia, algo que Abbas definiu como condição para a retomada das negociações.
Abbas argumenta que os palestinos, que já aventaram a possibilidade de trocas de terra como parte de um possível acordo com Israel, precisam de garantias de que seu futuro Estado terá território suficiente e uma capital em Jerusalém Oriental.
Israel diz que Jerusalém é sua capital não divisível. Mas esse status, como também o dos assentamentos israelenses, não ganhou apoio internacional.
O direito de Abbas de negociar fronteiras e outras questões-chaves é contestado pelo grupo islâmico Hamas, que venceu uma eleição em 2006, tomou o controle da faixa de Gaza um ano depois e rejeita a coexistência permanente com o Estado judaico.
"Existe uma entidade palestina na Cisjordânia, governada pela Autoridade Palestina, outra entidade palestina em Gaza, governada pelo Hamas, e as duas não se reconhecem mutuamente", disse Palmor. "Qual Estado palestino os brasileiros e argentinos estão reconhecendo? Isso não está claro nem sequer para os próprios palestinos."
Fonte: Reuters
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