quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lula diz que decidirá com "calma" sobre licitação para compra de caças


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta-feira, que decidirá "sem precipitações" sobre uma licitação para a compra de aviões de combate da qual participam empresas de Estados Unidos, França e Suécia.

Em entrevista coletiva com a presidente eleita, Dilma Rousseff, Lula deixou claro que o assunto não ficará pendente para o próximo Governo, mas disse que tomará a decisão com "calma" e após consultar o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

"Decidiremos isso depois, sem precipitações", destacou Lula, que deu a entender que Dilma poderia participar da discussão ao afirmar que o assunto será discutido depois que a presidente eleita tirar "alguns dias de descanso".

Na licitação para a aquisição de 36 aviões concorrem os caças Rafale, da empresa francesa Dassault, os Super Hornet F/A-18, da americana Boeing, e os Gripen NG, da sueca Saab.

Jobim declarou, em várias ocasiões, que a Força Aérea recomendou os Rafale, que considerou os "mais interessantes para o Brasil" e os que "melhor se adaptam" às necessidades de defesa do país.

Lula também manifestou publicamente sua preferência pelos aviões franceses.

No feriado de 7 de setembro de 2009, quando recebeu em Brasília o presidente francês, Nicolas Sarkozy, Lula anunciou que os dois Governos decidiram transformar Brasil e França em "parceiros estratégicos no domínio aeronáutico".

Nesse mesmo dia, o Governo brasileiro ressaltou sua intenção de "iniciar negociações" para a compra dos aviões franceses, apesar de depois ter esclarecido que essa oferta era válida também para a Boeing e a Saab e que a licitação continuava aberta.

O ministro afirmou, nesta quarta-feira, que a decisão do presidente supõe o "começo das negociações", que poderiam fracassar caso a empresa ganhadora não aceite as "exigências" do Brasil em matéria de transferência de tecnologia para a fabricação dos caças.

"Só saberemos se a empresa escolhida vai cumprir o combinado no momento de sentar para discutir os pontos do contrato. Não estamos comprando aviões. Estamos aprendendo a fazê-los", afirmou Jobim a jornalistas no Rio de Janeiro.

O ministro lembrou que as discussões com a França, para que o Brasil participe da construção de um submarino nuclear, duraram um ano e ressaltou que as empresas nem sempre aceitam cumprir o que prometem.

Fonte: EFE

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