sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

EUA veem Brasil como sócio credor após reformas no FMI e no G20


Os Estados Unidos enxergam o Brasil como um sócio credor, e não mais como um país devedor, depois das reformas de cota implementadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), somadas ao papel assumido pelo país no G20, declarou nesta sexta-feira Nancy Lee, subsecretária do Tesouro americano para a América Latina.

"Agora conversamos com o Brasil e com outros países emergentes como sócios credores, e já não mais em função da antiga linha divisória entre países credores e países devedores", disse a funcionária em um discurso na sessão plenária anual do Conselho de Negócios Estados Unidos-Brasil. "É uma evolução transformadora em nossas relações."

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Na semana passada, o Brasil aumentou seu aporte ao programa de compra de bônus do FMI, de US$ 10 bilhões para US$ 14 bilhões.

Durante a última cúpula do G20, o Brasil também conseguiu junto às outras nações em desenvolvimento uma declaração para transferir "pelo menos 5%" do poder de voto no FMI e 3% no Banco Mundial para os países emergentes.

Estas reformas não só aumentaram o peso dessas nações nas instituições multilaterais como também representam uma "grande apólice de seguros para os países emergentes com políticas adequadas", explicou Lee. Os Estados Unidos compartilham com o Brasil a visão de que as mudanças de governança "são essenciais para a efetividade e legitimidade dessas instituições", acrescentou.

Indagada sobre o eventual ingresso brasileiro na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), Lee respondeu: "Certamente acreditamos que é um grupo no qual Brasil deve estar interessado". Seria uma decisão lógica, mas é totalmente brasileira, frisou.

Lee falou ainda sobre o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que deve sofrer uma reforma e prestar mais atenção ao setor privado antes de concluir sua esperada ampliação de capital.

"Brasil e Estados Unidos compartilham a visão de que (o BID) precisa mudar e ser reformado, à medida que busca mais capital, e em particular necessita fazer muito mais para financiar o setor privado" ao invés de se focar em projetos públicos, explicou.

As reformas de instituições multilaterais como o BID e o Banco Mundial devem ser concluídas na primeira metade de 2010, lembrou Lee, referindo-se à declaração do G20 em Pittsburgh, em setembro.

Em março, o BID se reunirá em assembleia geral em Cancun, no México, e o principal tema das discussões será a ampliação de capital. Os diretores do banco abriram a fase final de negociações há pouco mais de um mês em Madri.

Sobre os US$ 180 bilhões que uma comissão independente propôs para esta ampliação de capital, Lee comentou que "estamos na primeira parte da discussão, não é possível estimar um número neste momento".

A reforma e ampliação do BID, o principal banco multilateral na América Latina em volume de empréstimos, está ligada à de outras entidades regionais e à do próprio Banco Mundial.

Fonte: France Presse

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